
Beeeeem amigos da LCM. Nesta mais uma terça-feira à noite os confrades fizeram a sua habitual e já consagrada reunião semanal para jogatina de poker entre amigos. Cabe lembrar aqui que desde a criação da Liga Cheuiche Mascarenhas, em maio deste ano, foram raríssimas as vezes em que não ocorreram partidas na terça-feira. E em apenas uma semana não houve uma partida de fato. E todos lembram que isso gerou consequencias nacionais e internacionais, vide o apagão elétrico ocorrido há duas semanas, onde uma pane em Itaipu deixou 18 estados brasileiros e o Paraguai sem energia elétrica. "A não realização do poker semanal da LCM causou um choque entre as dimensões, uma fenda no tempo/espaço que, sem dúvida foi a causa do apagão no sistema elétrico nacional! Tipo efeito borboleta.", elucida o estudioso confrade Luiz Tasso Neto. Por via das dúvidas, o Ministério das Minas e Energia conseguiu uma determinação judicial que proíbe determinantemente qualquer cancelamento de um encontro da LCM sem autorização prévia da Organização das Nações Unidas.
É fato que nenhum dos confrades quis assumir a responsabilidade pelo fato, ou pelo cancelamento da reunião naquela ocasião. O que se tem de concreto é uma cópia do e-mail decretando o cancelamento, enviado por Leandro Deffente. Bruno critica Leandro por sua atitude autoritária. Deffente argumenta a inadequação do número de jogadores para o encontro, pois só quatro teriam confirmado presença. Fábio Peixoto também questiona o decreto, alegando que em nenhum dos estatutos da Liga está expresso que o número mínimo de confrades são cinco. Alexandre Schadeck, vulgo Índio, aponta o próprio Peixoto como culpado, pois ele era um dos que não havia marcado presença na noite. Mas o próprio Índio também seria um dos ausentes declarados naquela noite, tal como crítica veementemente o desapontado Felipe Zylber. Mas como todos são cavalheiros bem esclarecidos, souberam enfrentar o ocorrido com clareza suficiente para constatar que tal episódio realmente não pode se repetir.
Quem ficou evidentemente frustado com o ocorrido foi um dos fundadores da Confraria, o glorioso Dilson Branco. Branco estava em excursão pelo velho mundo, em uma turnê pelas
mais antigas casas de poker, onde aperfeiçoou suas técnicas de call e raise. Só ontem tomou conhecimento do lamentável fato, e criticou seus colegas, afirmando com grande eloquencia que isso nunca - e repetiu o "nunca" uma vez, com bastante ênfase - aconteceria na sua presença.
Retrospectivas a parte, a noite de ontem foi muito agradável. Estiveram presentes 8 dos 9 jogadores mais assíduos da liga. Apenas Índio que não pode comparecer, pois estava em viagem internacional. E a reunião desta vez fora justamente no BNH de Pinheiros, ou no Natingui II como também é conhecido o famoso conjunto de blocos da Vila Madalena. Ao som de Bob Marley cantando "When the cats away, the mice will play" Bruno recepcionou Fernando "Andropausa" de Tomassi, seguido de Dilson Branco. A essa altura os três já aguardavam ansiosos a chegada de Leandro e a sua maleta de gângster, a qual contém as fichas que permitem o início do jogo. Junto com Leandro veio Neto, e não muito depois Zylber completou o quadro inicial da noite. Mais tarde surgiram Peixoto e, após, Digo.
Por incrível que pareça a mesa permaneceu de forma tranquila, sem as usuais grandes eloquências, exacerbações, discussões infundadas ou exaltadas. As graves faltas da noite estiveram apenas relacionadas aos celulares, que alguns colegas insistiram em atender durante o jogo. Uma dessas ligações foi Leandro quem recebeu. Após falar por alguns minutos com seu amigo Juca, passou o telefone para Rodrigo. Juca vai casar no final de semana e estava exigindo a presença de seus amigos Rodrigo e Leandro. Enquanto Rodrigo falava, Neto começou a perceber o teor da conversa e não se conteve. Com os hormônios à flor da pele, num sobressalto com o sorriso estalando no rosto ele pergunta: casamento? Onde?
Seu comentário espontâneo e ansioso foi suficiente não só para sacar risos dos colegas. Também serviu como um alerta: aquele clima de casamento e euforia serviria como uma enorme maré de azar para Netasso. E assim o foi. Daquele momento em diante qualquer um poderia apostar o que quisesse contra o Neto que ganharia a mesa dele. E tal o foi que Neto perdeu grandes quantias na roda, mesmo possuindo mãos como flush, sequencia ou até mesmo full house.
E assim seguiu a noite, sem grandes surpresas, exceto pela fato de a dupla Leandro e Fernando sair em prejuízo. Caso raro.
O chip leader da noite foi Rodrigo. E, além dele, o único confrade que saiu da mesa sem prejuízo foi Dilson Branco, que pôs em prática seu aprendizado conquistado na Europa. Também destaque para Rodrigo por apresentar um poker de 10.
* Texto criado pelo confrade Bruno "Marshall".