domingo, 27 de setembro de 2009

Tabela LCM - 24/09/2009


Extraordinariamente, a rodada da LCM, ocorreu na quinta-feira por solicitação do nosso confrade Fernando que estava na nossa circense capital federal. Segundo ele, conversando (sabe-se lá o que) com o nosso presidente do senado José Sarney que, por sinal, teima em "largar o osso". Será que o nosso ilustre confrade Italo-Canadense Fernando tem algum grau de parentesco com nosso ex-presidente???
Bom, verdade ou não, a conversinha pelo jeito deu resultado e após 18 rodadas, a nossa ilustre LCM, tem um novo líder, o grande Fernando com resultados impressionantes. Nas suas 04 últimas partidas, teve lucro em todas, foi chip leader em 03 e acumulou um montante de R$ 280,00. Com isso, ficou impossível manter a minha liderança e agora, pela primeira vez, ocupo a segunda colocação. Outro detalhe importante, por solicitação do Tarso que pediu sua retirada da LCM, o Indío assumiu a quarta colocação apesar do mau resultado da noite e o Zylber manteve a terceira colocação mesmo também perdendo.
Quem vem subindo na tabela e, principalmente, diminuindo seu prejuízo consideravelmente e o nosso campeão de presenças Dilson Branco. Encontra-se em sexto lugar com apenas R$ 0,75 atrás do Digo que agora está na quinta colocação. O sétimo lugar e do nosso eterno Bruno "Marshall" que vem jogando ultimamente fugindo das suas características, ou seja, com receio e um demasiado excesso de zelo.
Na terça-feira já teremos uma nova rodada e dessa vez será na casa do Zylber com a estréia da sua nova mesa e, quem sabe, com ela bem cheia, contando com a volta do Neto, Peixoto e do Narloch.
Confrades, se preparem, se concentrem e até terça-feira!!!!!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Resenha LCM em Italiano!!!!!

Ieri per la prima volta verrá fatta una *redazione in italiano dal sottoscritto*

Da quando giochiamo installeremo il sistema (quello originale dei veri giocatori di poker) il small e big blind.

Oggi ufficialmente Peixoto viene soprannominato *litle fisch* e tutti oggi si rendono conto che lui é motivo di *polemica inutile*.

Il gioco va avanti che praticamente tutti cercando di vincere una mano, e alle

22:40hs - Felipe estrella con un full house di 10 con 9 su Narloch e insime a Peixoto fanno il primo riabbastesimento. alle

22:53hs - Neto entra prepotentemente con un *all in* ed io vado e mostro un full di 8 con ré, alla mano dopo riecco una scala del sottoscritto!! alle

00:56hs - Felipe fá un maraviglioso poker di 9 seguito da Dilson alle

01:18hs - Che fá unáltro poker di 5 (secondo della notte) nel classico gioco del vecchio e nostalgico gioco con le cinque carte in mano.

* Texto criado pelo confrade Fernando "Italiano"

Tabela LCM - 15/09/2009





Mais uma rodada da LCM, bom público (tivemos 08 jogadores) presente prestigiando a rodada e com a campanha VOLTA NARLOCH, TARSO, OTUBO funcionando. Além disso, a rodada foi marcada por um grande acontecimento, uma grande mudança, na verdade. Pela primeira vez jogamos utilizando o Small Blind (SB) e Big Blind (BB), a regra oficial do Poker Texas Hold'em. Melhor, como tudo na LCM tem apelido, jogamos pela primeira vez com o Ceguinho e o Cegão.
Depois dessa rodada, por incrível que pareça, as oito primeiras posições permaneceram inalteradas, porém, algumas considerações são importantes. A diferença entre o primeiro e o segundo caiu para apenas R$ 0,24, isto é, praticamente um empate técnico. Muito, pelo grande resultado do Fernando que terminou a noite como o chip leader obtendo um lucro de R$ 74,00. O Zylber conseguiu ampliar a vantagem com uma boa vitória e o Indío está realmente impossível, vencendo 05 das últimas 06 rodadas da LCM e provando que insistência e consistência resultam em bons frutos dentro da LCM. A propósito, cadê o TARSO!!!! Alguém sabe???? As más linguas dizem que a coleira está muito apertada e que, por isso, o nobre amigo não consegue ir muito longe de casa. Será que é verdade????
O Digo não jogou e permaneceu na sexta colocação. O Dilson conseguiu jogar a noite inteira e zerou, ou seja, não ganhou nada, mas também não perdeu coisa nenhuma e manteve sua sétima colocação no ranking da LCM. O Bruno, surpreendendo todos, também não apareceu para jogar (fez falta!!!) e manteve sua oitava posição. Já o Neto que está em uma fase difícil, caiu uma posição e agora está em décimo no ranking. O Peixoto segue a sua sina, perdeu novamente e vê sua situação ficar cada vez mais difícil dentro da LCM. Uma grande notícia foi a volta do Narloch a nossa humilde confraria, começou mal, se recuperou muito bem com uma grande mão, mas não manteve a consistência e acabou amargando um novo prejuízo e, com isso, continua segurando a lanterna da LCM.
Bom, por solicitação do nobre confrade Fernando, que estará viajando na próxima terça-feira (22/10/2009), e por aceitação da grande maioria, a próxima rodada foi transferida para quinta-feira, dia 24/10 na casa do Zylber que estará estreando sua mesa nova. Espero sinceramente que todos confirmem a presença para próxima rodada onde, com toda certeza, teremos grandes mãos e muitas emoções.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Etiquetas do Poker - Parte 01


O que não fazer:

1) Não comente a mão enquanto ela estiver sendo jogada. Isto é ilegal na maior parte da Europa (e na LCM também!!!!). Esteja particularmente atento para não apontar possíveis (ou atuais) possibilidades de jogo.

2) Não dê conselhos e nem espere que lhe dêem. Não mostre as suas cartas "foldadas" a outro jogador.

3) Não esconda as suas fichas. É ilegal apostar com fichas escondidas. Deixe todas as suas fichas a mostra para que os outros jogadores possam ver quantas você tem.

4) Não incentive um jogador a fazer call, raise ou fold, quer esteja jogando a mão ou não; é o máximo das más maneiras.

5) Não faça apostas em prestações. Todas as suas apostas têm de ser feitas num movimento único: é sempre melhor anunciar "raise" antes de fazer qualquer coisa com as suas mãos, ou poderá ver o seu raise cancelado se o fizer em duas vezes.

6) Não mostre a sua mão, exceto quando lhe fazem call. Durante o jogo é ilegal (e poderá ajudar os que ainda estão em jogo). Só serve para revelar a sua forma/estilo de jogar.

domingo, 13 de setembro de 2009

Momentos LCM - 08/09/2009


A Maior Mão da História da LCM


O draw da maior mão da LCM



Bruno montando o Straight Flush na cabeça



Bruno já rindo sozinho



Digo dando corda para se enforcar




Bruno apresenta o Straight Flush


Digo mostrando seu fair play, na verdade, ficou em casa!!!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Melhores momentos de uma noite de recordes

21h45: Passados pouco mais de 30 minutos de jogo, temos o primeiro all-in, protagonizado por Zylber. Com um full house de Ks e Js, ele conquista sua primeira mão da noite. Muitas outras não viriam.

21h54: Digo chega, trazendo uma garrafa de vinho pela metade. Fernando aproveita a interrupção para servir o penne à carbonara, feito com pancetta, que é bacon não defumado.

22h10: Paladares saciados, todos voltam à mesa. Curiosidade: a toalha hoje é branca, um lençol improvisado em substituição ao manto oficial, esquecido na casa do Dilson. Aproximadamente 33% dos jogadores aprovam a cor, que garante bom contraste em relação às costas escuras do baralho.

22h20: “J-Lo!”, grita Bruno ao receber suas cartas. “É um valete e uma carta baixa, ‘low’”, explica, inaugurando um novo jargão. Depois dos R$ 40 que deixou no pote ao fim da noite, esta foi sua maior contribuição à mesa.

22h25: Olho no lance! Leandro aumenta R$ 1 na cega. Fernando sobe para R$ 1,50. Sobram só os dois. Fernando aumenta R$ 7,40. Leandro casa – e ganha com um par de As.


22h35: Com a chegada de Índio e Peixoto, a mesa já conta com nove participantes, igualando o recorde da liga. E não tarda para o companheiro bugre (termo este não restrito ao vocabulário gaúcho, tendo em vista que é também o apelido carinhoso do Guarani de Ponte Preta) reafirmar seu estigma de narrador. A mesa segue baixa até o river. Bruno pensa, pensa e aposta R$ 4, ao que Índio imediatamente grita: “Blefou!”. Bruno apresenta um par de 4s e perde para dois pares.

22h55: Sobre uma mesa cinco vezes dourada e crivada de fichas, Bruno faz o maior jogo da noite: straight flush até Q. Seria a melhor combinação da história da LCM? Dilson lembra que Narloch já fizera o mesmo jogo até K. Mas talvez tenha sido antes do início dos registros da liga, na chamada pré-história do torneio, considera. “Chamava Aborto Elétrico nessa época ainda”, crava Leandro.

23h-e-lá-vai-cachaça: Estimada em R$ 90, temos a maior mesa da história da liga. Flush para Leandro, sequência para Bruno. Deffente comemora ao som de Gil Scott-Heron, músico poeta nascido em 1949, em Chicago, famoso por ter sido uma importante influência para os criadores do rap.

No primeiro bonde, já passada a meia-noite, a família Cheuiche se despede, com prejuízo total de R$ 101. Peixoto pega carona, deixando R$ 44 no pote. O baile ultrapassa as duas badaladas, registrando mais uma nefasta marca inédita para a liga!

Recordes da noite:


- Maior pote: R$ 452.
- Maior mesa: aproximadamente R$ 90, vencida por Leandro.
- Maior número de jogadores: nove
- Maior duração total: aproximadamente cinco horas de jogo, das 21h às 2h.
- Maior jogo da história escrita da liga: straight flush até Q (ouro), do Bruno.

* Texto criado pelo confrade Dilson Branco

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Tabela LCM - 08/09/2009



Tivemos mais um encontro da LCM e, dessa vez, com lotação máxima. Pelo primeira vez, desde a era dos "pontos corridos", estiveram presentes na mesa da LCM 09 jogadores em uma mesma noite. Também tivemos um outro recorde batido, o pote total da noite foi de R$ 452,00.
Um brinde a confraria da LCM!!!
As duas primeiras posições permaneceram inalteradas, eu continuo em primeiro lugar com o Fernando em segundo, porém, houve uma ampliação da vantagem sobre o terceiro colocado que continua sendo o Zylber, que ontem conheceu a pior noite da sua carreira dentro da LCM.
O Digo que ocupava a quarta colocação, está em uma fase difícil (já são 04 rodadas praticamente sem vencer!!!!) e acabou caindo para o sexto lugar no ranking. Agora o Tarso está em quarto lugar, aliás, onde anda o Tarso????? E o Otubo??? Aproveito para iniciar a campanha "Volta Tarso e Volta Otubo!!!!".
Quem vive um grande momento dentro da LCM e o Índio. Nas últimas 5 rodadas, obteve lucro em 04 delas e viu seus prejuízos zerarem, melhor, já está com lucro. Ontem acabou sendo o chip leader da noite e saltou da sétima para quinta posição, encostado no Tarso e no Zylber.
O Dilson é um caso estranho, que requer estudo, quem sabe até uma análise psicológica. Durante uma boa parte da noite estava liderando a mesa, com grandes vitórias e boas mãos, porém, como tem sido frequente, na última parte do jogo acaba entregando as fichas e amargando prejuízo. Será que foi a cachachinha???? Bom, acabou caindo uma posição e agora está em sétimo lugar.
O Bruno permaneceu em oitavo lugar, porém, ontem, acabou nos presenteando com um Straight Flush (8 at Q's) de Diamonds, coisa linda de se ver!!!! Pelo menos para mim, foi a maior mão que eu presenciei dentro da LCM. O Neto também permaneceu na mesma posição, porém, conseguiu se manter jogando até as 02:00hs sem fazer nenhum rebuy e mostrando uma ótima leitura da mesa. O Peixoto que na rodada passada teve uma noite memorável, voltou a cometer alguns erros de análise e amargou um novo prejuízo. Permanece em décimo segundo lugar no ranking da LCM.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Momentos 03 LCM - 01/09/2009


A hora e a vez do Peixoto!!!!!!



Conforme prometido, presente surpresa entregue.



O que será??????


Peixoto, achou que era um brinco.......



Peixoto, meteu a boca.......

Momentos 02 LCM - 01/09/2009



Zylber contando dinheiro na frente dos pobres!!!!



Mais uma mesa interessante!!!!!



A tensão toma conta!!!! Subindo a Brigadeiro.......

Momentos 01 LCM - 01/09/2009


DUELO DE TITÃS


Mesa interessante!!! Muitas possibilidades....



Quem irá vencer????????



Digo vence, sem mostrar as cartas!!!!!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Minha história sobre o Poker

Voltei a sentir aquela sensação incrível, sensação inexplicável que não sei muito bem como acontece, aquela onde o coração bate mais forte, as mãos ficam suadas, um calor sem sentido toma conta, enfim, sensação de sentir-se vivo, sabe. Tá certo, isso já aconteceu comigo em outras situações, em outras ocasiões, mas jogando cartas, sinceramente, não lembro. Somente o poker consegue isso, somente ele tem essa capacidade, desperta esse fascínio. Não estou falando de grandes campeonatos ou grandes quantias apostadas em dinheiro, falo de momentos bem mais comuns, simples, singelos. Momentos que não vão ficar para história, na verdade vão, para minha história e é isso que me interessa quando sento em uma mesa com os meus amigos.

Aliás, esse é um outro detalhe importante, amigos do poker. Nada melhor que uma mesa de poker para conhecermos as pessoas, seu caratér, seu bom (e mal) humor, suas formas de ver e enfrentar o mundo. Acredito redondamente que em uma mesa de poker podemos ter uma idéia bem clara de tudo isso, de como as pessoas se comportam na sua vida cotidiana, afinal de contas, temos elementos que nos permitem caracterizar isso, disputas, conflitos, frustrações e, principalmente, dinheiro. Não podemos ser hipócritas e dizer que não jogamos para ganhar dinheiro, claro que jogamos, mas também jogamos para dar boas risadas, contar e ouvir ótimas histórias, ouvir boas músicas e se deliciar degustando bons vinhos. As vezes, é inevitável perdermos nosso "rico" dinheirinho, mas como diz um amigo meu, é barato!!!!!

Ao contrário do que muitos imaginam, jogar poker não é simples, não se trata apenas de sorte ou azar, muito pelo contrário, trata-se de um jogo complexo que requer prática e astúcia, requer intuição, requer análise de possibilidades e alto poder de concentração, requer habilidade para desastabilizar emocionalmente seu adversário e utilizar isso para obter as mínimas vantagens que podem fazer a diferença no final. A diferença entre estar ganhando e, de repente, perder tudo é muito próxima.

Tudo isso transforma o dia do poker no momento mais aguardado da semana, quem nunca se pegou pensando: -Putz....ainda faltam 5 dias para o próximo jogo!!!! Mas não se preocupem, ele chega!!!! E quando chegar, estaremos prontos.

Aliás, alguém quer jogar????

Tabela LCM - 01/09/2009



Pessoal, depois de quase 01 mês sem jogar, tive o previlégio de voltar a sentir o coração batendo mais forte e ontem, especialmente, tivemos 08 jogadores participando da confraria LCM, um número ótimo para uma mesa de poker.

Ontem, também, finalmente consegui entregar o presente-surpresa que vinha prometendo. Para minha felicidade, o felizardo da noite, nosso cheap leader, foi o ilustre confrade Fábio Peixoto que vinha de uma fase continua de péssimos resultados, mas que a partir de agora, parafraseando nosso rei RC, daqui pra frente tudo será diferente.

Bom, estou na liderença do ranking, mas vendo a diferença diminuir cada vez mais para o Fernando e o Zylber, esse último, devido ao ótimo resultado de ontem, acabou ultrapassando o Digo e o Neto e assumindo a terceira colocação. O Neto que ontem viveu seu pior momento dentro da LCM, acabou despencando da quarta para nona colocação no ranking. O Digo caiu para quarta colocação, percebendo o quanto é difícil manter uma média para se manter nas primeiras colocações.
O Dilson, que ontem estava vivendo um grande momento, se perdeu nas últimas mãos, o que acabou comprometeu seu lucro final, mas mesmo assim ganhou 02 posições no ranking, agora é o sexto, e viu seu prejuízo diminuir para apenas R$ 80,00 em 15 jogos, uma média de R$ 5,33 por partida.
Outro que ganhou duas posições no ranking foi o Índio, devido principalmente aos 03 resultados positivos das últimas rodadas e ao baixo prejuízo do dia de ontem. Agora está ocupando a sétima colocação e vendo seu prejuízo diminuir drasticamente. O Bruno com o prejuízo de ontem está na oitava colocação, perdendo apenas 01 posição no ranking, mas vendo seu prejuízo aumentar.

Aproveito a ocasião para descrever uma nova definição criada no dia de ontem dentro da LCM e que acabou sendo aceito pela maioria dos confrades. Só serão aceitos novos integrantes na mesa quando for respeitado o horário limite de chegada que será as 22:30hs.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tabela LCM - 25/08/2009






A noite era pra ser na casa do Dilson. Mas dessa vez houve um imprevisto de última hora. Após consultas, trocas de e-mail, telefonemas e especulações diversas entre os confrades ficou decidido que a jogatina seria sediada no BNH.


O horário seria o de sempre, mas dessa vez era visível que iniciaria mais tarde. E conseqüentemente se estenderia até mais tarde. Rodrigo e Índio tinham compromissos paternos. Não chegariam antes das 21h30. Peixoto tinha compromisso profissional. Tampouco chegaria antes das 21h30. Neto fora o último a ser avisado da nova definição, mas já estava se encaminhando ao local. E Fernando, que não raramente chega cedo, dessa vez chegou as 21h15. De mãos vazias. Não beberia essa noite devido a compromissos matinais logo ao alvorecer. Mas não resistiu a um copo de cerveja oferecido por Bruno, que aguardava ansioso pelos jogadores pra iniciar a mesa. Logo em seguida, mas já no segundo copo, apareceu Neto, com um suco de laranja. Essa seria a sua bebida. E foi assim que se deu o início do Póker® daquela noite, 21h30 passada, 3 jogadores à mesa, pingos de R$0,20, míseras fichas verdes, apostas beirando a monotonia. Mas poucas rodadas se passam e Peixoto avisa que chegará em 6 minutos. Preciso como um cirurgião, ele chega. E no mesmo instante que ele está nas escadas, subindo ao apartamento, Rodrigo liga perguntando se ainda há espaço na mesa. A noite começa a ficar interessante.


Peixoto adentra o apartamento. Sem bebidas. Mas suas mãos não estão vazias. O bom confrade nos brinda com petiscos. Sabores diversos. Faz a alegria daqueles três que estavam a comer pipoquinhas doces caramelizadas (praticamente um isopor com açúcar, mas alto padrão). Menos de uma dúzia de minutos depois chega Rodrigo. Só não chega com as duas mãos abanando porque a fratura na clavícula impede o movimento de um dos braços. Embaixo do outro há um volume. Mas não é bebida alguma. É uma bela pasta, marrom, de trabalho, novíssima. Viria a ser o prêmio surpresa da noite. Fernando desperta interesse imediato pela pasta. Diz que está realmente precisando de uma. Bruno lhe avisa: então faça por merecer. Ganhe as fichas, que você ganha a pasta.


Finalmente a mesa ganha volume. Agora são cinco jogadores, colocando de lado a outrora monotonia e dando mais intensidade à partida. Às 22h30 ocorre o primeiro aumento do pingo, que começa a delinear as grandes movimentações de fichas. É aproximadamente essa hora que chega o sexto integrante da noite. Schadeck adentra a porta do apartamento com uma caixa nas mãos e um sorriso estampado no rosto. Está feliz de ver seus amigos reunidos mais uma vez à mesa, e também esperançoso de poder lucrar novamente, como na semana anterior. De dentro da caixa ele retira duas preciosas garrafas de vinho, apresenta aos colegas e as pões sobre a mesa. Muitos se animam. Mas eis o inesperado: não havia um saca-rolhas na casa. Como não havia de ser diferente, o italiano Fernando prontamente se levanta. Mas não porque ele estava louco pra beber o vinho. Afinal ele não iria beber, pois iria acordar cedo no dia seguinte. E até mesmo porque ele já estava tomando cerveja. E só ia beber um copo. E isso ele insistiu em dizer, a cada copo, até o quinto servido. Mas ele era um italiano. E precisava honrar suas tradições e garantir que o vinho fosse aberto e degustado. E assim ele resolveu a problemática, com um parafuso. Como agradecimento, imediatamente Schadeck lhe ofereceu um copo (sim, um copo. Assim como não havia saca-rolha, não havia taça). Fernando não se conteve e aceitou, sem antes pôr em dúvida, pela sexta vez na noite, seu próprio caráter. As outras cinco foram a cada copo de cerveja que tomou. E não me pergunte quantos de vinho foram. Não sou desses que fica regulando quantas vezes cada um se serve na noite.


O jogo seguiu corriqueiro, com agora seis jogadores à mesa. Corriqueiro em termos de ritmo e percalços. Mas não no sentido de tradição. Rodrigo, se aproveitando da ausência do glorioso Dilson, surpreende os colegas distribuindo cinco cartas para cada um. O primeiro a se manifestar contra é seu irmão, Bruno, clamando que a Escondilsinha® é um privilégio do Dilson, por tradição e respeito como um dos fundadores da Confraria. Mas Digo, que raramente dá ouvidos a seu irmão, não se abala. E como outros não se manifestam contra, ele segue a distribuição de cartas. Na próxima rodada Rodrigo insiste na prática, mas ao trocar as cartas dos colegas ele comete uma manobra proibida, quase melando a rodada de apostas. Nesse momento o Poker Marshal aproveita pra reiterar que esses e outros motivos fazem da Escondilsinha® uma marca registrada, e refuta novamente a iniciativa falha de implementar a Escondiguinha. Mas, de fato, foi preciso uma ligação para sacramentar a questão. Perto das 23hs Dilson nos surpreende com um telefonema dizendo que está liberado de seu compromisso e ansioso por um lugar à mesa. Sempre há.



Logo ao chegar ele divulga a notícia: a Sorria, revista da qual ele é editor, foi agraciada com o prêmio Anatec (Associação Nacional de Editores de Publicações) de Mídia Segmentada 2009 na categoria Lançamento do Ano (revista). Congratulações à parte, ele libera logo a verba pro Buy in e senta à mesa. Agora são sete jogadores. Diferente do que se esperava e completamente diverso de como iniciara a noite, com aqueles três esperançosos confrades de antes cedo e seu jogo monótono. O ritmo é intenso, o pingo já inicia a subida da Brigadeiro, atinge R$1,00 e as apostas aumentam. E se faz verdade o velho ditado popular: os últimos serão os primeiros. Dilson inaugura a lista de rebuys da noite, enquanto profere a adaptação de um outro dito popular, mais comum às mesas de jogos: Sorte do patrão, azar no pôquer. E ainda envolvendo ditados e Dilson, ele se orgulha de ter decorado o velho ditado do avô de Fernando e ter comentado com colegas de trabalho. Mas ao tentar citar, se atrapalha: “Pio fácil… Como é mesmo? Pio facile meter in… É! Acho que eu não aprendi bem”! Mas Fernando lhe acode: Piú facile metterlo in culo che in testa alla gente. Dilson, resignado, diz: é mais difícil memorizar do que eu pensava. E Fernando enfatiza: por isso que te digo, piú facile metterlo in culo che in testa alla gente.


A noite seguiu e outros também tiveram que recorrer a rebuys. Quando é a vez de Peixoto, ele puxa sua carteira, discretamente, de um invólucro inusitado. Índio, que estava atento, lhe questiona: tu leva o dinheiro num saco de papel? Peixoto, um tanto quanto constrangido, se justifica: eu tinha uma mochila… mas vendi pra continuar jogando pôquer.



Já num embate de mesa repleta de fichas, onde muitos blefavam, ao fim levou o confrade que tinha apenas um Ás em mãos, e que por ventura tinha sido o último a mostrar o jogo. Até então a disputa estava entre Dilson e Bruno, cada um com um Rei como a carta mais alta. A segunda carta de Dilson era um 6, e ele pergunta a Bruno, por pura curiosidade, qual era o kicker dele. Bruno rechaça que não era bem um kicker enquanto apresenta um mísero 2. Afiado como um bisturi, Peixoto emenda de imediato: era um runner!


Chegamos à meia-noite, hora da primeira chamada. Aqueles que precisavam sair se apresentam. Fernando era quem possuía o maior valor em fichas no momento e vai embora levando seu lucro e sua carteira dentro da nova pasta conquistada com mérito. Rodrigo vai de carona. Enquanto Fernando se despede, sorridente, agradecendo o prêmio, alguns mais observadores notam uma reação adversa no outro lado da sala. Peixoto, com os olhos marejados, sentado no sofá, afundado atrás da mesa, olha discretamente para seu saco de papel onde está sua carteira. Abatido, lentamente levanta sua cabeça direcionando seu olhar para a bela pasta, estalando de nova, sob o braço de Fernando. Era quase possível ver dentro de sua cabeça seus pensamentos, seus sonhos de se exibir com uma pasta chique na redação da Editora onde trabalha… tudo se esvaindo como fichas que migram do centro da mesa para o lado oposto, em direção a um adversário, após um all-in mal sucedido.



E de all-in mal sucedido entende Bruno. Eu diria que seria até mesmo um mal-in. O seu último e derradeiro da noite não lhe desceu muito bem. Ficou um pouco atravessado na garganta. Ao ser aberto o flop Bruno decide apostar todas as suas fichas. A maioria dos colegas desiste, mas Dilson decide acompanhar. Ambos fazem o showdown. Com as cartas da mão mais as da mesa, Dilson fecha um par de Valetes. Bruno também soma suas cartas com as da mesa e possui um par de Ás. Bruno está contente com a vitória parcial, mas segue receoso. Peixoto, o glorioso dealer do momento profetiza: Eu já vi as cartas, e isso vai ser emocionante, porque eu já vi as cartas. Como assim já viu as cartas, reflete Bruno. Isso não soa bem. Mas antes que Bruno aprofunde seus pensamentos, Peixoto abre o turn, e a quarta carta é um 8. Bruno se emociona mais ainda. Com o seu Ás e o 8 que ele já tinha em mãos ele fecha dois pares. A alegria vai se consolidando. E eis que então Peixoto apresenta o river, a quinta e última carta, aquela que abre um rio de possibilidades. Um Valete. Dilson vibra. Um inacreditável Valete. Bruno desacredita. Dilson fechou uma trinca de valetes. Bruno se afundou no rio. A emoção agora é outra. Mudou a emoção dos dois jogadores. Vai ser emocionante, havia profetizado Peixoto. Como assim? Um turbilhão de pensamentos invade a cabeça de Bruno. Por que o dealer havia visto as cartas antes de virar? Isso pode? Tá na regras? Melou! A avalanche de pensamentos segue levando Bruno: Quem me garante que a quinta carta é a quinta carta? Ele queimou as cartas? Eu não vi! Ele não descartou as cartas. Melou! Definitivamente melou, era só o que passava na cabeça de Bruno. Peixoto queima as cartas sempre? Ou nunca queima? Ele não queimou dessa vez. E ele viu antes de virar. Se ele não visse que a quinta carta era um Valete ele queimaria? E se ele sempre queimasse, e visse que a carta a ser queimada era um Valete, ele viraria sem queimar? Como assim se ele visse? Ele pode ver as cartas antes de virar? Esse pau no cú ta roubando, surta Bruno. Eu vou matar esse merda!



Mas antes de qualquer ímpeto mais agressivo, Bruno contém seus pensamentos. Olha ao redor. Respira fundo. Percebe que está entre amigos. Reconhece que Peixoto não faria uma sacanagem destas. E também não queria desmerecer a vitória de seu colega Dilson. Se fosse o contrário, Bruno sabia que Dilson também seria um bom perdedor. Não teria nenhuma atitude contrária a isso. Apesar do fato não lhe cair bem, Bruno resigna-se. Aceita a derrota. Mas em protesto não realiza outro rebuy. Também já era tarde. Aproximadamente 1 hora. Seguiram na mesa Peixoto, Índio, Dilson e Neto, por mais uma hora. Ou quase isso.


Bruno deitou sua cabeça no travesseiro e, após refletir mais um pouco, dormiu com apenas uma certeza: se não era contra as regras o dealer olhar as cartas antes de virar, era, no mínimo, deselegante.


* Texto criado pelo confrade Bruno Cheuiche Vieira da Cunha

Tabela LCM - 18/08/2009



Dessa vez as mulheres (e os filhos, em alguns casos) quase acabaram com nosso Póker, mas felizmente tivemos 5 bravos e resistentes guerreiros que garantiram a assiduidade da nossa confraria. A mesa começou cedo, com a presença de Dilson (o glorioso anfitrião), Rodrigo, Bruno e Fernando. Este último já deu a largada com uma sorte impressionante, ganhando as quatro primeiras rodadas da noite: começou com uma trinca de 7, na segunda rodada repetiu a trinca, dessa vez de 10. Na terceira e quarta rodadas ele evoluiu e fez dois Flushes consecutivos, Paus e Ouro, respectivamente. A essa altura Bruno já dizia que tal sorte não poderia seguir por toda a noite. Na quinta e sexta rodada Fernando não foi até o fim, deixando as fichas para Bruno. Mas na recém sétima distribuição de cartas da noite ele retorna com um grande jogo: Full House de Cincos e Setes. Infelizmente tamanha sorte estava na hora errada, e o máximo que ele conseguira tirar de seus colegas, além do pingo, fora R$0,20. Afinal, as primeiras rodadas são as de aquecimento, e o pingo baixo impede um maior delineamento de quem será o vencedor da noite.

Às 21h45 chega o quinto e último confrade da noite, Índio, que estava em casa a cuidar de seu filho pequeno (que também serviu como belo pretexto para chegar à mesa em um momento que as apostas e pingos estivessem mais contundentes). Ele chega, de mãos vazias, com um impressionante bom humor. Logo já pega na geladeira uma cerveja e seu copo clássico. As jogadas seguem e Índio, como sempre, se propõe a narrar. Mas desse vez seu lado “vidente” está mais acentuado, e ele constantemente tenta adivinhar as cartas dos colegas. Na Escondilsinha® ele canta a combinação de cartas de Rodrigo e acerta 50% (se é que isso é possível, já que as cartas são 5). Ele não se contém e logo diz, cheio de orgulho: viu, eu sou um cara que sabe ler a mesa! Dilson imediatamente rebate o comentário: que mesa, cara, se não tem nem mesa pra ler aqui? Mas isso não é o suficiente pra acabar com o bom humor do colega. Por sinal, seu humor só aumenta ao longo da noite. Alguns se perguntam se isso tem mais a ver com os momentos dedicados ao filho, ou com as cervejas que ele segue pegando da geladeira. O jogo continua, e os comentários também. Até que Rodrigo e Índio discordam sobre estilos de apostas. Rodrigo desafia o colega perguntando se alguma vez ele já ouviu a expressão poker face. É claro, responde Índio, resoluto. Rodrigo não se contém com a resposta e indaga: o que quer dizer? Índio, no auge do seu bom humor, expande um sorriso debochado e prontamente responde: cara de poker! Os confrades não se contêm e caem na gargalhada, enquanto Rodrigo, frustrado com o diálogo, resmunga: assim não dá nem pra conversar!

Todos se recompõem e o jogo prossegue. Aos poucos vão se delineando os ganhadores da noite. Fernando, que havia começado com grande sorte, a essa altura já havia dado seu segundo rebuy. Seus colegas relembram das grandes jogadas do início da noite, e agora comentam os jogos pífios que ele tem apresentado. O italiano não se abala e profere mais um de seus ditados: piutost che nient, le meie piutost. Alguns se indignam logo pensando se tratar de um xingamento. Índio se manifesta e passa a palestrar sobre a sonoridade dos italianos, que parecem sempre se agredirem, que as palavras soam como ofensas, mas na verdade estão só conversando amigavelmente. Então todos pedem uma imediata tradução. Fernando incia: piutost che nient, le meie piutost quer dizer… Piutost Che nient é como… não se pode traduzir, é uma expressão que não tem como traduzir. Todos se exaltam, desacreditam, tentam, pedem que repita a expressão em italiano. Ele recomeça: piutost che nient… Fernando empaca novamente. Nesse momento eis que Bruno eleva sua voz grave e altivamente se pronuncia: melhor nada do que coisa nenhuma! Fernando se alivia com a tradução e os outros jogadores aplaudem estupefatos. Dilson complementa: além de um grande resenhista, é um grande tradutor. Bruno Cheuiche não se contém e dispara, do alto de sua humildade: não é à toa que a Liga leva meu nome.

Na primeira chamada, à meia-noite, Rodrigo pronuncia seu interesse em sair, mas é prontamente convencido a respeitar a tradição da Confraria: mais uma rodada, acabando na Escondilsinha®. Ao término desta, Bruno é o grande vencedor da noite, mas esquece o prêmio surpresa, para a alegria do Dilson: um pote com 20 “brigadeiros” de morango.

Já esperando o elevador, Rodrigo recebe uma ligação. Seu filho mais velho aguentara tempo suficiente até acabar o poker, mas agora agoniava de dor no ouvido. Era realmente hora de voltar pra casa e cuidar da família.Antes que Dilson feche a porta, Índio ainda relembra: quem bebeu cerveja não esquece de me pagar!
* Texto criado pelo confrade Bruno Cheuiche Vieira da Cunha