
Prezados confrades do Póker,
Primeiramente me desculpo pela demora em publicar a resenha, mas eu havia perdido o meu bloco de anotações (se é que dá pra se chamar de bloco aquela folha A4, dobrada duas vezes ao meio, que o digníssimo anfitrião e jornalista Dilson me apresentou). “Bloco” encontrado (estava no console do meu carro), é impossível não começar a resenha relembrando uma das primeiras (e certamente a mais inusitada) jogada da noite: no final da gloriosa Escondilsinha® (talvez a primeira Escondilsinha® da noite, não me recordo) três jogadores se apresentam com 1 Flush cada. Ou Naipes, como diria o outro confrade. Foram eles: Fernándo com Paus, Rodrigo com Ouro e Índio com Copas. Não houve critério de desempate, fazendo com que os três jogadores dividissem a fortuna que estava na mesa: suas próprias apostas, mais R$1,60, que era a soma de apostas dos outros jogadores. Afinal, os motores ainda estavam sendo aquecidos e o pingo era aqueles míseros R$0,20.
A noite segue, e quando o pingo aumenta começa aquele festival de fichas verdes na mesa. Rodrigo, parcialmente imobilizado devido a uma recuperação de clavícula fraturada, mal consegue alcançar o bolo de fichas. Ele pede, energicamente, que alguém lhe troque suas fichas maiores por algumas fichas verdes. Índio, desgostoso com o tom de Rodrigo, mas também insensível à sua limitação física, dispara: “Quer verde? Senta no colo do Hulk”. A piada, infame, soa um pouco estranha aos outros colegas, mas todos continuam jogando sem dar muita atenção ao fato. Lá pelas tantas, Índio, em tom dissimulado, reclama de algumas grosserias na mesa. Nesse momento Bruno, ansioso por vingar-se pelo irmão, imediatamente rebate: “Quer grosseria? Senta no colo do Hulk”.
O jogo não pára, alguns jogadores perdem fichas, outros ganham fichas e outros perdem seus pingos constantemente. Peixoto (que mais uma vez chegou ao jogo pontualmente, no seu personal time) era um desses que só perdia o pingo. E muitas vezes para o Índio, que repetidamente apostou fichas antes do flop. Cansado dessa atitude, Peixoto encara seu colega e fala olho no olho, em tom solene: “está na hora de colocar os pingos nos Indios”. Talvez intimidado, após esse momento Índio começou a perder. Seu humor alterou, ficou calado, introspectivo. A noite continuou avançando, os chip leaders se alternando. Até que o pingo sofreu seu último aumento. É o momento que começa a se desenhar quem será o ganhador da noite, as apostas se tornam mais altas, a corrida fica acirrada, os confrades se concentram mais. Num breve momento de silêncio absoluto, Alexandre Schadeck levanta a grande questão da noite: Que Santo foi Silvestre?
???????
Muitos ficam atônitos com a observação, mas aqueles mais atentos, os que sabem ler a mesa, rapidamente se situam no período atual do jogo e identificam a referência. Estávamos na subida da Brigadeiroi! Mas mais rápido e rasteiro foi Rodrigo. E muito rasteiro. Com seu BlackBerry escondido em baixo da mesa ele prontamente busca o Santo no Google, e só se manifesta quando tem a resposta em mãos. Afinal, se ele começa a pesquisar à vista de todos imediatamente receberia uma “chamada”. “Não pode pesquisar Santo no poker”. Ficou curioso? Foi um Papa. Nada importante. Mais importante é o que aquele confrade sempre diz: “o pôquer sempre te dá uma segunda chance”. Ou uma terceira, quarta, quinta chance, desde que você esteja numa mesa com bons amigos. E isso foi provado nessa noite, quando Bruno, após um mal-sucedido all-in, ao ver Dilson, em pé, recolhendo o bolo de fichas ganhas, fala quase que mendigando: “DEIXA UM PINGO AÍ PRA MIM!?"! A deplorável cena se repetiu mais algumas vezes na noite. Até que a enésima chance de Bruno chegou (nem sempre é a segunda, viu Leando?) e ele conseguiu pagar seus colegas de volta. E ainda sobrou uma merreca pra mais três infrutíferas rodadas.
Índio, Rodrigo, Bruno e Peixoto saíram da mesa na primeira chamada, logo após a tradicional e pontualíssima Escondilsinha®, à meia-noite.
Dos que seguiram jogando, Zylber foi o grande felizardo, conquistando a maior parte do bolo e o prêmio surpresa da noite: DVD do filme U.S. Marshalls, oferecido pelo Poker Marshall.
* Texto criado pelo confrade Bruno Cheuiche Vieira da Cunha

