Um
ponto crucial para os confrades da LCM se darem bem em torneios é entender as
estratégias de jogo adequadas para cada patamar do seu stack. De acordo com o
tamanho do montante de fichas que você tem certa jogada pode ou não ser
lucrativa – e mais, salvadora – em uma mesa em que o objetivo é não apenas
sobreviver, mas também eliminar os rivais. Nesta coluna vou fazer uma
introdução da importância do tamanho dos stacks e alguns macetes de como
utilizá-los adequadamente.
Infelizmente para a turma que odeia fazer contas durante o jogo,
é essencial que, a cada mão jogada, você tenha noção do quanto de fichas está
em seu poder, quantas os seus adversários possuem e a relação disso com uma
medida que se chama “M”. O conceito do M foi definido por Paul Magriel, um
campeão mundial de gamão (não sei as regras desse jogo, porém é comum bons
jogadores de gamão se darem bem no poker e já li que algumas das estratégias se
aplicam a ambos os jogos). Para se chegar ao M basta dividir o stack pelo total
de fichas que existe na mesa pré-flop – small e big blind mais antes, se
houver.
Por exemplo: no nosso circuito os poker player começam com 6 mil
fichas e blinds de 25 e 50. O M, neste estágio do torneio, é de 6 mil dividido
por 75, que resulta em 80. Isso quer dizer que esse jogador, se não jogar
nenhuma mão, tem 80 rodadas até os blinds levar todas as suas fichas. Acontece
que os blinds do torneio sobem periodicamente, e por isso é essencial calcular
o M a cada mudança de nível. No quinto nível (150 e 300), o M já é de 13,3 (6
mil dividido por 450).
Mas o que importa tem um M de 20 ou de 5? De uma maneira
simples, o M mostra o seu nível de “desespero” ao longo do jogo. Quanto maior o
M, mais “folga” você tem para jogar com cartas especulativas ou então esperar
por uma super-mão. Quando o M diminui, ele pede mais ação no jogo para que os
blinds não o engulam.
Dan Harrington no seu volume 2 de “Harrington on Hold'em – The
Endgame” classifica os stacks em quatro zonas de acordo com o total de fichas.
Zona verde para os stacks com 20 ou mais Ms. Nesse nível, todas as jogadas
estão disponíveis e vale a pena arriscar um pouco mais para se manter nessa
zona de conforto. Mãos como suited conectors e pares baixos têm aqui suas
maiores expectativas positivas (EV+).
Abaixo dela, de 10 a 20 Ms, está a zona amarela, onde o jogador
já precisa ser menos conservador e movimentar mais o seu jogo. O critério de
mãos cai um pouco e especular se torna menos lucrativo. A terceira zona é a
laranja, de 6 a 10 Ms. Aqui a capacidade de apostar nas várias streets da mão
(pré-flop, flop, turn e river) já é limitada. O jogador na zona laranja deve
buscar ser objetivo e jogar mais agressivamente. Essas duas zonas são as que eu
acho mais difíceis de jogar. O stack está do tamanho ideal para ser atacado pelos
cheapleaders e não passa incólume por uma fatiada dos small stacks. Portanto,
cuidado.
A zona vermelha – de 1 a 5 Ms – pede as ações mais simples.
Nesse estágio o jogador está a ponto de ser eliminado do jogo pelos blinds. Um
aumento normal de algum rival da mesa, de 3 big blinds, já consome boa parte
desse stack. Logo, a estratégia básica aqui é uma só: quando entrar na mão, que
seja de all-in. Especialmente se chegar à sua vez com a mesa em fold. Aí,
amigo, empurre-as, todas. Sérgio Braga, um dos grandes jogadores brasileiros de
hold'em, ao ensinar a sua esposa Alessandra – hoje também uma jogadora
profissional – dizia nestas situações de M na zona vermelha: “Se você for ficar
com receio de empurrar suas fichas, faça all-in sem olhar para elas.”
A partir de agora, confrades, vocês já têm dois pontos fundamentais que precisam ser observados constantemente no poker: pot odds e tamanho dos stacks. Em textos futuros, aprofundarei as estratégias para cada uma das zonas de M e mostrarei exemplos para ilustrar melhor o que Harrington diz.
Por Wladimir D'andrade
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