terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Coluna do CAMPEÃO - Sem Medo dos Números!!

Caros confrades, 02 vezes por mês vou tentar passar algumas das principais estratégias de poker que eu aprendi com, até agora, seis livros e alguns artigos em revistas e sites sobre o assunto. Como não sou nenhum expert nesse jogo e não existe verdade absoluta sobre cada mão, a ideia aqui é criar um espaço para o debate. Isso é bom, porque ao final do ano aposto que as terças-feiras da LCM estarão mais disputadas. Portanto, comentem, façam perguntas ou refutem os posts.

Meu objetivo no primeiro texto é acabar com a separação entre a “turma que faz conta” e “os que jogam com fé”. Para isso tenho que passar o básico, a única variável incontestável no poker: as pot odds.

Pot odds é a proporção entre o quanto o jogador aposta e o quanto ele pode obter de retorno com a aposta. O resultado, então, é comparado com o número de cartas que esse jogador precisa para formar a melhor mão. Isso define se certa jogada é ou não lucrativa.

É mais fácil com exemplos.

Digamos que o Vizeirinha esteja no centro de São Paulo e se depara com um colorado de chapéu cartola e dados na mão, que lhe propõe um desafio. Ele diz para o nosso campeão de Aruba rolar um dado – normal, de seis faces – quantas vezes quiser a um preço de R$ 1 por vez. A cada número 6 que aparecer o Vizeirinha recebe R$ 6. Mas se sair qualquer outro é o colorado que fica com o R$ 1. Vizeirinha deve aceitar o desafio?

A chance de sair cada uma das faces do dado é exatamente a mesma. No longo prazo, cada vez que o nosso herói rolar o dado ele vai ganhar uma e perder 5 vezes, relação de 5:1 – podemos dizer que essa contagem mostra quantos são os outs do Vizeirinha. Agora vamos comparar essa relação com o prêmio.

Toda vez que o Vizeirinha perder, ele terá de pagar R$ 1. Toda vez que ganhar, ele recebe R$ 6. As pot odds dele são de 6:1.

Vizeirinha deve aceitar o desafio? Os números dizem que sim. Quando as pot odds são maiores que o número de outs a aposta é lucrativa no longo prazo. Se o nosso herói rolar o dado 1 mil vezes, ele vai ganhar, em média, 16,6%, que neste caso vai lhe dar R$ 1.000. E vai perder em 83,4% das mãos, ou R$ 834. Lucro, portanto, de R$ 166.

Agora vamos levar todo esse raciocínio para uma situação mais prática. Em uma certa sessão de cashgame, vemos o Dilson com uma bolada em fichas e preocupado com o seu surto de mad poker player que sempre, diz ele, toma conta do seu espírito no final da noite. Na posição button, o destemido rapaz olha para as suas duas cartas, A6 naipado (suited) em copas, e dá um call na aposta de R$ 2 do Peixoto, assim como todos os outros quatro jogadores na mesa. O pote, então, vai para o flop com R$ 12. As cartas que viram são K de paus, 10 de copas e 5 de copas.

Dilson tem 9 outs, ou qualquer uma das cartas de copas que estão entre as 47 do baralho ainda não abertas. A chance de ele completar o nuts (o maior jogo possível na mão) é de 38:9, ou aproximadamente 4,2:1. Todo mundo dá check e a carta do turn é um J de ouro.

O Peixoto, então, se sente o Anderson Silva com seu par de anzol e sai atirando R$ 9. Todo mundo foge e o Dilson resolve primeiro calcular as pot odds. Ele tem que cobrir R$ 9 em um pote que tem R$ 21, ou 2,3:1. Resultado que mostra um call não lucrativo.

Porém, se a aposta do Peixoto fosse R$ 3, as pot odds do Dilson seriam de R$ 3 em um pote de R$ 15, ou 5:1, um call fácil. Se o flush bater, Dilson sairá desta noite radiante. Caso o baralho não o ajude, é só ele tirar a ideia de blefar da cabeça, largar a mão e se contentar com uma perda pequena de fichas.

Pronto confrades, vocês estão convidados a entrar no incrível mundo das contas. Se acostumem a fazer o cálculo das pot odds para toda aposta. No final do ano, é bem capaz que o nome de vocês na tabela de resultados apareça ao lado de cifras mais animadoras.

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